domingo, 27 de dezembro de 2009

Meu caro.

Desculpe meu caro, mas pensava viver sem a sutil embriagues,
Sem me importar com a beleza das cores,
Sem ter pena das dores;

Desculpe meu caro, mas não dá mais pra controlar,
Vou dar uma volta nessa noite que é pra não desacreditar,
Dentre ruas desertas onde a lua se põe a iluminar;

Desculpe meu caro, mas não quero sua companhia,
Quero chegar ao nascer do dia,
Sentir o silêncio escuro que corre na rua vazia;

E assim por diante meu caro, quero nunca mais o verbo que não se completa,
A palavra não dita, o desejo não curtido,
O gesto parado no ar, dissolvido antes do afago.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

"Ressaca da vida", é isso!

Abraçava os joelhos pensando que a maioria de mim não queria continuar,
E pedia, intensamente, que o dia começasse assim, já com pressa de passar...
Em dezessete primaveras... eu nunca quis tanto que alguns dias pingados simplesmente escorresse pelo ralo, pra que eu não tivesse que degustá-los.
Agora vejo a vida sendo desenhada em linhas desfocadas,
Desejando apenas encontrar a felicidade em uma esquina qualquer.
Quantos invernos passaram, quanta solidão.
Tento então, sublinhar minhas urgências e ignorar o que não se encaixa,
Mas se......
Existem sensações em mim...
Murmúrios próprios, instantâneas incertezas,
Passei a manhã toda assim, tentando justificar minhas escolhas e achar fundamentos pra elas... me revirando por dentro até encontrar uma razão maior.
Um grito secreto, um silêncio misterioso que ninguém tira de cada alma que existe em mim, de cada dia pequeno de vida.
Esses dias medíocres que se repetem por covardia, por covardia...
Parar por um instante e relembrar o quanto fantasiei e derramei sonhos...
Agora começo a seguir suas migalhas de pão sem fermento, seu rastro com tortas alegrias.
Tentando ficar contente com os tons diversificados no valor sem medida da experiência pessoal.

sábado, 7 de novembro de 2009

Percorrido.

E por fim apareceu,
Assim sem pretensão,
Sem que eu prestasse atenção,
Deixando outra canção.

O tédio que parecia não passar,
Passou há dar um tempo,
E num diferente tom,
O corpo se mostrou propício a outro dom.

Brotado na reciprocidade do olhar,
O que já era difícil de achar,
Preenchia com seu sabor,
O passageiro calor.

Mas mesmo tentando que não fique coerente,
Com o que era assim tão decorrente,
Ressurge um estar em mim,
Voltando ao que não se pode entender.

domingo, 25 de outubro de 2009

Ainda bem.

Ainda bem que o tempo passa, e com ele nos crescemos e amadurecemos. Ainda bem que com o tempo, começamos a pensar com a nossa própria cabeça e formar opiniões. Ainda bem que enquanto o tempo passa nos tomamos decisões e que elas interferem no tempo que vem. Ainda bem que nós somos os únicos responsáveis pelos nossos atos e o que decidimos fazer é de total responsabilidade nossa. Ainda bem que eu não sou mais aquela menininha de outrora, aprendi a me virar sozinha, resolver os meus problemas e viver a minha vida. Ainda bem que a vida me ensinou a respeitar o outro. E, ainda bem que não somos todos iguais, pensamos diferente e temos gostos divergentes. Ainda bem que aprendi a olha com os meus olhos e não com os da sociedade, a procurar entender ao invés de julgar. Ainda bem que sei que certos e errados são coisas impostas, e o que é teoricamente dito como verdade não é necessariamente genérico. Ainda bem que aprendi a criticar as coisas que me são colocadas e não apenas aceitar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

(***)

Minha lembrança esqueceu seu nome,
Assim por acaso,
Dentro de um sonho confuso;
Que oscilava nas palavras,
De noites amargas,
Historias passadas,
Conversas sem fim;
Despertava o interesse,
Por qualquer discurso, suspiro e tumulto;
Lembrava de velhas falas, antigos assuntos,
Sentia gosto nas respostas,
Arriscava um olhar;
Mas aqueles que se aproximavam,
Se desfiguravam;
Tudo mentira, tudo mentira,
Ilusionismo de cenas reinventadas,
Cheio de murmúrios ao meu redor,
Que na verdade eu não conseguia escutar;
No labirinto das palavras,
Teu nome era o único que eu não conseguia pronunciar,
Palavras guardando meus próprios mistérios,
Palavras que guardavam o que nem eu mesma sabia desvendar;
Fatigada tratava de recompor,
A varanda da casa,
A praça do bairro,
O ginásio da escola,
Mas giravam em esquecimento,
Forjando seus acontecimentos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aparição amorosa.

Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nossos corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis: ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.

Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejoem que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.

Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? a massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma idéia platônica no espaço?

O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.

Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.

CDA

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Reconstruindo Lee

Estou revendo minha vida, minha história, o meu caminho.

Refazendo minhas manias, meus defeitos, os meus vícios.

Estou repensando meus valores, meus costumes, os meus princípios.

Revivendo meus amigos, minha família, os meus amores.

Estou escrevendo minhas cartas, meu começo, os meus planos.

Revelando meus desejos, meus medos, a minha ilusão.

Estou bebendo meu veneno e tomando do meu porre.

Comendo minha gula e vomitando o que não presta.

Estou exibindo meu troféu.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Lapso da consciência entre ilusões.


O que de fato és não me vem de súbito,
Chega até ser abstrato,
E acentua minha confusão;
Fui eu quem ousou dizer,
Porém foi a outro,
Ou será só ilusão já que eu não reconheceria?
Supus ter dito, porque não me ouviria,
Supus ter sido outro, porque eu não saberia;
Fragmentos de realidade ou de sonhos que nem sei?
Eu não sei, eu não sei...
Um desejo sem corpo nem boca,
Que anseia o que não sente;
Seria alguém, seria?
Se de veras existe,
Seria um erro eu o saber.
Seja como for,
És quem eu quiser.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Deleite.

Teu gosto tão fraco em minha boca,
Teu sorriso tão marcante em meus lábios,
Teu tato tão ausente em meu corpo,
Teu rosto tão esquecido em minha memória.

Esconder um sentimento,
Ignorar uma vontade,
Fingir uma verdade.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Greta Garbo.

O silêncio me seguia ao subir as escadas, num passo macio, degrau por degrau sem fazer ruído, me preocupando para explicar o que ia fazer ali. Ah, se pudesse voltar sem nenhuma palavra, sem nenhuma explicação. Ela também não diria nada, como se eu tivesse ido comprar cigarros.
- Catharina? – Bati de leve e fui entrando.
- Está sozinha?
Fiquei ainda um instante parada diante da porta do quarto, sem saber mesmo o que fazer, juro que não tomei logo a decisão, ela provavelmente esperava, e eu parada como besta.
Naquela improvisação do momento, o tempo perdeu a medida e eu já não era capaz de lembrar quando exatamente foi que conheci Catharina. Só sabia que sua beleza no início me impressionava, e depois seus gostos e suas ideologias. Com a mão na maçaneta não pude deixar de sentir um certo desespero. Fui recuando de costas, mas de repente não aguentei e devagar me pus a empurrar a porta. Foi quanto, então, vi sua sombra, e um tremor gélido pairou em meu corpo.
Não sei quanto tempo fiquei parada no meio do quarto sem fazer coisa alguma, primeiramente olhando pra ela. Ela estava segurando um livro, sentada na cama, de camisa, me olhando sem dizer palavra alguma. Não parecia espantada nem nada, só me olhava.
Procurei os cigarros só para fazer alguma coisa. Que situação. Se ela tivesse feito qualquer gesto, dito qualquer coisa, eu ainda me segurava, mas aquele silêncio entre nós e aquela bruta calma em seu semblante me fazia perder o controle. Ela então abaixou os grandes olhos negros.
–Estava lendo. ..
- Victor Hugo? – Fechou o livro e não pode deixar de sorrir. Ai então, discutimos um pouco sobre o livro, os personagens, o enredo, o autor. Mas o prazer de vê-la era tão grande que me sentia compassada quando ouvia sua voz calma, harmoniosa com os seus gestos.
Pergunta do que eu fazia ali não veio, com certeza já sabia mais do que eu esperava, e deve ter reconhecido de sobra aquela antiga expressão que eu trazia toda vez quando tinha algo a esconder ou a contar.
- Queria lembrar uma passagem do livro... – Ela continuo colocando o livro sobra à cama e se pôs de pé na minha frente.
- Só que está tão frio... Vou fazer um café. Você aceita?
- Ah sim, claro!
Aproximei- me da janela. O sopro do vento era ardente. Mesmo assim o quarto continuava sendo o lugar menos frio da casa. E continuava o mesmo, como outrora, com suas paredes forradas de posteres, micas, papeis de propaganda, e com os retratos da Greta Garbo, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor e Vivien Leigh, que nós mesmas pregamos. Tínhamos uma paixão por Greta Garbo, e diante do seu retrato não tinha forças nem para acender o cigarro, relembrava da primeira vez que assistimos juntas Grande Hotel, A dama das camélias e A carne do diabo.
- Aqui está, pronto! – Despejava o café fervendo na caneca.
- Essas canecas continuam sendo as sua preferidas, não? – Teve uma expressão de resignado bom humor.
- Sim, e ainda ficam na prateleira do armário do canto, lembra?
- Como haveria de me esquecer... – Nos fitamos por um segundo tão prolongado que podia sentir meu coração disparado no peito. Tomei de um só trago o café amargo.
Confesso que durante muito tempo não sabia se pensava mais em ir embora, ou no que iria perder se não enfrentasse meus próprios sentimentos.
- Seu novo romance? – Perguntei na maior excitação ao encontrar em cima da mesa o rascunho. Tinha um gosto enorme por todas as coisas que ela escrevia.
- Sim, mas ainda estou pra terminar, essa historia tem sido a mais trabalhosa pra mim, difícil de encontrar um final descente pra ela. Se soubesse teria feito uma fantasia ou algo mais leve. -
Ao perguntar do que se tratava a história, ela me fitou nos olhos e disse que não poderia contar enquanto não colocasse o fim. Mas me garantiu que a historia não seria nenhuma surpresa e que era por demais conhecida por mim.
Conversamos um pouco, contamos de nossas novas vidas e do rumo que ambas tinham acabado tomando com o tempo. Nem eu, nem ela ousávamos dizer coisa alguma que remetesse ao passado, como um pacto de não tocar mais no assunto.
- Você no retrato parece um pouco diferente... Mais nova, mas não me lembro dessa fotografia de quando ainda mora... - A frase subitamente foi interrompida pela metade, era como se resgatasse todo um passado do qual não conseguia ficar sem me recordar.
- Enquanto ainda morávamos juntas? - Completou-a de uma forma tão doce e sutil que me fez quase os olhos encher de lágrimas. Comecei a ficar irritadíssima, inquieta, era como se tivesse medo de assumir a responsabilidade de tamanho amor. Porém sabia que primeiro era preciso dizer a mim mesma como foi possível acontecer o que aconteceu. Passei a mão na nuca, como quando fazia se não sabia o que fazer ou se tivesse feito algo errado. Meus olhos foram em um demorado encontro com os dela, e eles naquele momento já não eram calmos e tranquilos, estavam inquietos e ansiosos.
- “Meu deus!”
- O que foi Sofia? - Perguntou ela em meio aquela pausa. Mas já não adiantava tentar esconder, sabíamos nitidamente o que se passava no interior da outra.
- Você está tão linda.
- Eu, linda? – Ela sorria, e sempre negava com aquela mesma expressão que fez a última vez em que lhe disse isso. Ela então abaixou a cabeça e olhou para o outro lado.
- Sofia... você demorou tanto pra reaparecer... Cheguei até em pensar que aquele seria mesmo o nosso fim.
- Não, absolutamente! Mas de certo precisávamos de um tempo longe uma da outra, pra que pudéssemos mudar, amadurecer, entender melhor as circunstâncias.
- Ah Sofia, eu precisava tanto te ver, entende? A última vez foi tão horrível, me arrependi tanto das coisas que falei... Queria pelo menos poder ter uma despedia mais digna. – A interrompi tomando-a pela mão.
- Não pense nisso, Catharina, que bobagem. Hoje temos uma noção bem mais sensata dos fatos... E sabemos que ambas erraram bastante. – O gesto foi discreto, mas no rápido abrir e fechar dos dedos havia um certo desespero.
- Acho que jamais nos entenderemos...
- Nossa vida foi tão maravilhosamente livre! E tão cheia de amor, rimos e choramos nesse terceiro andar, cercadas por gravuras e retratos de Greta Garbo, Elizabeth Taylor... – Ela tirou a mão e alisou os cabelos num gesto contido. Num quase afago, ela deixou pender o braço que lhe contornava o ombro e me envolveu em um apertado abraço. Mordisquei o lábio devagarinho, bem devagarinho até a dor ficar insuportável.
- Ah Sofia, eu te amo tanto... - Nessa altura eu estava tão desfibrada, que havia de chorar lágrimas de enternecimento quando a vi colocar na minha mão o cigarro que pensei em ir buscar.

sábado, 22 de agosto de 2009

Utopia

Estou cansada de toda essa subjetividade,
De todos esses clichês,
Frases-feitas,
Morais de histórias,
E sonetos sem nenhum enigma;

Estou farta de todo essa hipocrisia,
De passos que não tocam o solo,
Horizontes trancados a chave,
Conceitos de certos e errados.
E imaginação padronizada;

Estou cheia dessa mesma jornada,
De risos forçados,
Da aparência de bom sujeito,

Leitura vulgar e histórias sobre o amor,
Tons e sons que não trazem coisa alguma,
E da ganância de empobrecer a alma;

Gosto do que me tira o fôlego,
Almejo o quase impossível,
Veneno o improvável,
Anseio o inimaginável,
Tenho uma vontade que nunca passa,
Uma palavra que nunca cala;

Ah, pobre amigo, nunca soube tu,
Como é ridícula essa métrica bem adotada.

Quem sabe ousar diversificar?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sessão das 21:00

Noite de segunda feira,
Eu, um cinema vazio e o silêncio,
Em minha companhia,
Só as poltronas que brigavam a ausência.
Diante dos seus olhos, cenas de um filme a passar. Baseado em história real, queria ela que fosse surreal. Um menino, sua história, e uma perturbadora consciência que insistia em achar reflexo do que se passara na tela, sobre ela que o via. A criança, a pobreza, a tristeza. Tudo em um aberto e desfocado segundo plano, pois tudo isso, apenas compunha o fundo da cena que ela agora fazia. Em seu fechado primeiro plano: Uma mulher, um coração apertado, uma lágrima a cair, que assim, sem cuidado deixava vulnerável o seu intimo. Apenas perifericamente espionava o segundo plano, ele se tornava o único a observá-la, sendo cúmplice ou testemunha de seus pensamentos que vagavam soltos pela solitária sala, e pelo seu solitário eu interior. Como o sopro que apaga uma chama, uma atrevida frase do segundo plano ousou desfazer toda a atenção que ela dava pra aquele seu nada. A tela, então, se fez maior e mais viva, agora a envolvia colocando tudo em um único plano. Aquele jeito de falar, aquele olhar, aquele tom de pele... A face empalideceu, a boca secou, a mão esfriou, o coração disparou. A infeliz consciência fez pairar na memória de algo que a tela a fazia recordar. Finalmente, as luzes se acendem e ali deixava apenas um olhar, num silêncio tão grande, que os ouvidos chegavam incomodar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ermo.


Na experiência de encontros e desencontros;
Compartilho com você a delícia do encontro,
No caminhar dos desencontrados,
E o doce experienciar dos momentos e sensações,
Na visceralidade das emoções;
Mas na dura e deliciosa arte de se relacionar,
A freqüência nem sempre é fácil de sincronizar,
E na incerteza do que está por vir,
Encontramos...
O demasiado, exacerbado, exaurido,
Nós mesmos,
Perfeitamente imperfeitos,
No aprendizado emocional da graça de se amar, amando,
Na expectativa de uma palavra, um gesto,
Na ansiedade de ser dois e ser todo,
Nos doces suspiros calados, agora revelados;
Que faz nascer no peito um desejo,
Destemido e temido;
Desejo camuflado, gritado, desesperado,
Desejo á flor da pele,
Desejo atormentado, sofrido, desalentado,
Desejo na espera,
Desejo sublime, mundano, insano,
Desejo no silêncio,
Desejo,
Que jamais será... saciado.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Quase que meu silêncio vira um caso de consciência.

Explodindo em sensações,
Transbordo o sentimento e a palavra cala,
Na tensão permanente,
Faço da imagem antes um pensamento,
Depois uma linguagem,
Mas as idéias já não suportam mais o pulsar dessa desordem,
Que insiste em estar viva por aqui,
Ao lado de onde se vive;
Confesso que desenvolvo certa repulsa,
Dessa vez em relação a você,
Que é incapaz de retratar o que mais mostrado foi,
Pois prostrado está ao dorso dos motivos inventados,
Trazendo um desejo de nada,
Fechado a sua atmosfera,
E jogando aos ares um ideal,
Que até quando eu quiser,
Enquanto houver confiança,
Será real;
Mas não lhe culpo,
Pois vendo o processo do tempo,
Me calo meio acuada de tanta hipocrisia que aqui impera,
Você é só uma parte desse todo,
E tenho certeza que você saberá entender essas linhas,
Na sua justa medida,
Não como um julgamento,
Mas como um extasiado impulso de emoção,
E logo após a perturbadora primeira leitura,
Absorverá alguma coisa.

domingo, 5 de julho de 2009

Adeus você.

É bom, às vezes, se perder sem ter porque, sem ter razão.
É um dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom.
Quero não saber de cor, tão bem...

Para que minha vida siga adiante.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

.

" Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para consegui-lo." ( THOREAU)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Num impulso de vontade

Acordei num dia vazio.

Meus sentidos já não me pertenciam

Estava cega, já não podia mais te ver,

Minha voz já não existia,

Estava muda, minha boca fora controlada,

O cheiro que eu sentia, já não era o que eu queria,

Minhas pernas, já não me obedeciam,

Estava viva, meu coração batia em um compasso angustiado,

Como se fosse à única coisa que ainda resistia.

Meus ouvidos, já não reconheciam nenhum acorde da música a te tocar,

Meus sentimentos, já não mais existiam.

Lá fora o sol brilhava, mas não mais me aquecia,

Foi então, quando fiz silenciar todos os gritos de hipocrisia,

De uma sociedade destrutiva que tentava me tomar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Resquícios

Dei-me um pouco da magia dos luares,
Que nas noites sem mares, vigia o seu lar.
Traga-me um pouco de lembrança,
De quando era criança, pro teu rosto me lembrar.
Dei-me um pouco das conversas sem pressa,
Que depressa, foram embora sem contar.
As vezes não sei e pergunto-te onde se escondeu,
O momento em que fui eu.
Já não sei o sentido de ser estar,
Mas parei nas águas que me trouxeram pro seu mar.
Eu não sei onde foram parar todos os sonhos do passado,
Que encantados se perderam sem realizar.
Já não sei em que caminhos andavamos de mãos dadas,
Pelas ruas de madrugada.
De cada dúvida minha, nasce uma sombra imensa,
Nos teus olhos que as pensa.
De cada poesia irrespondida,
Tento lembra da cor que tinha, cada frase perdida.
Já não sou aquela menina,
Que sua antiga sabedoria ensina.
Traga-me um pouco do aroma sentido,
Enquando te digo, saudade do amor esquecido.

domingo, 31 de maio de 2009

"But I see your true colors"


Esqueci em que esquina eu deixara o seu olhar,
Me perdi dentre nos passos que por mim passavam correndo no tempo,
Me confundi em outros rostos tão desconhecidos quanto ao meu,
Me encontrava completamente distante das conversas vazias que me cercava.

Ninguém parecia se importa, tão pouco, reparar;
Mas em meio aquele vai e vem paranóico de carros e pessoas,
Em meio aquela pressa descontrolada de não perder um só segundo,
Eu só queria encontrar um lugar no qual estaria totalmente isenta daquela realidade,
Um lugar onde as pessoas não ditassem regras, conceitos de certos e errados, não emposse verdades.

A angústia me tomava os sentidos,
Estar inserida naquela lógica de sociedade estúpida,
Que na sua ignorância reprime tudo aquilo que foge do padrão estereotipado da coisa,
Feria-me tão profundamente a alma que não mais podia te achar.

Entregue à calçada segurando um cigarro dentre os dedos,
Via todo o meu resto se esvair pela rua,
A lua timidamente começava a aparecer na imensidão do céu,
Após longas horas o orvalho já começava a se condensa,
E lá fora o vento soprava forte,
Mas aqui dentro me mantinham aprisionada.

Enquanto a noite caia na contramão,
Sem fôlego procurei por um sorriso,
Ponteiros apressados, passos calados, coração gelado.
Então deixa a lua se mover lentamente lá no alto.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

...

- Sabe a garota do copo d'agua?
- Sei.
- Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

“A persistência confusa da minha subjetividade objetiva. ”

Se me apresso a te ouvir,
Usando apenas palavras que guardam enganos,
Coloca-me contra o que desejo.
Acabo por me perder,
Lembro-me do que me traz muitas coisas...
Menos o contentamento.
Atenho-me então procurando não sentir,
Tempo de silêncio e solidão,
Que não me traz gozo nem desgosto.
Não mais, amor.
Ofereço-lhe, o meu intimo,
Orgulhosa do que faço,
Afasto-me arrependida.
De volta ao meu passo,
É já historia vivida.
Sobe efêmeras lagrimas
Derramadas.

terça-feira, 26 de maio de 2009

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever"

Que segredos escondem aqueles olhos?
Que desilusões terá lhe ferido os sentimentos?
Por qual caminho a vida terá lhe feito seguir?
O que fora seus anseios?
O que terá lhe assombrado a alma?
No que terá pensado antes de dormir?
Que preocupação terá lhe feito mais mulher?
Quais responsabilidades terão lhe feito mais madura?
Que sonhos terá lhe feito mais realista?
Que filme terá lhe trago lembranças?
Que música terá lhe disparado o coração?
Que imagem seus olhos formara mesmo sem luz?
O que terá lhe trago conforto?
O que terá lhe feito brilhar os olhos?
Porque me despertara o interesse e tomara os pensamentos se de você só sei o nome?
Que encanto terá você pra me instigar dessa forma?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Agora acostumei a olhar além do horizonte...


O amanhecer daquele dia trazia consigo esta dor.
O sol escondido por trás das nuvens,
O cheiro do café sendo passado,
O vento frio chegando de mansinho a esfriar nossos corações,
A canção ouvida de longe embalando o mover das arvores,
Todo parecia em seu lugar, quieto e morno.
Tudo esta bem quando não a nada para nos incomodar.
Diferentemente, algo estava fora de sintonia,
Onde se encontrava os sonhos que fora sonhados?
Minha musica fora embora à procura de outro tom.
Ali estava minha voz, tão vazia de significados quanto minha alma.
Estava minha dor, curtindo seu próprio lamento.
Meu coração, tão errante que desorientava a falta de constância.
Ali estava eu, sobrevivendo aquele patético momento.
Estava de um lado minha lembrança do que seria um amor, e do outro, esquecimento.
Os ventos de outono vieram tocar em minha face,
E tudo o que era efêmero se desfez, ficou só o silêncio.
O que permitiu que eu voltasse a mim,
Entendendo que a solidão pode ser um dos melhores males.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.

A mudez me toma as palavras que poderiam pela boca ser ditas.
O não saber, me coloca em uma atmosfera tão sedutora que me induz ir em busca ao desconhecido.
Tudo aquilo que trás consigo um mistério, é até pros menos curiosos uma instigação, e eu, que outrora estava tão descrente, encontro-me envolvida a algo que nem sei o que é, quem é.
Talvez seja essa mania de querer sempre o que exige mais esforço, assim, a graça que me encanta demora mais a se esgotar, conferindo sempre um caráter único a cada interpretação. Saber o quão distante é no espaço e no tempo, cria um ímpeto de vontade.
Quero eu inconscientemente que não se acabe, mesmo que pra isso fracasse em ponto físico, pois assim o que me impulsiona não se findará.