sexta-feira, 30 de abril de 2010

Os olhares convinham a ocasião,
Sorrisos denotavam intenção,
Os corpos agiam com medo da solidão,
Detalhes prendiam minha atenção.



Pensamento

Atento

A tanto

Encanto.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Você não sabe o tanto que eu te procurei,
Por toda a noite briguei com travesseiros e lençóis,
Pela cama me revirei até o corpo cansar,
E a mente dizer que sente falta de te ter.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

De onde você não vem.

Quando a tarde cair,
Chegue sem ter porque,
Faço um café forte,
Ou te ofereço a dose da bebida mais amarga;

Você me conta do seu dia,
De como perdido veio parar na minha porta,
Conversaremos um pouco de bobagens,
E assim, daremos boas risadas;

Faça perguntas que me pegue sem resposta pronta,
Relembre histórias de instantes que não param,
Fale com sutileza coisas que te causaram dor,
E de como distraído as deixou que te tirassem o sorriso;

Quem sabe então assim,
As Inventaremos outros fins,
Fazendo com que tempo perca a medida do passado,
E as tristezas noções de realidade;

Deixaremos, então, que a noite nos pegue desprevenidos,
E que ela corra pelas ruas que me querem levar pra longe,
Apressando te digo que já estou de saída,
Você diz que prefere, quem sabe, me acompanhar;

A solidão da noite me espera,
E você me leva pra onde eu não possa me encontrar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010


“Quero pôr os tempos, em sua mansa ordem, conforme esperas e sofrências. Mas as lembranças desobedecem, entre a vontade de serem nada e o gosto de me roubarem do presente. Acendo a estória, me apago a mim. No fim destes escritos, serei de novo uma sombra sem voz”. (Terra Sonâmbula, Mia couto.)

domingo, 11 de abril de 2010

Noite fria, noite curta, noite turva.

Acontece, porém, que existe sempre uma sede insaciável por afeto,
Por um desejo que leva a fazer coisas demasiadamente apetitosas,
Uma procura inútil por anseios, que de tanto, quase me sufoca;
Acredito ainda, que falta o sentir,
E o pouco que sinto não me basta,
Absolutamente não é tolerável,
Mas é o que mais me consome,
E o que leva a própria contrariedade.
Sinto com os olhos, que podem ler todo o seu corpo, e pelos seus,
Ver verdades, que desmentem sutilmente seu orgulho e teimosia,
Sinto com os ouvidos, que podem traduzir em estrofes uma mulher,
E a sinceridade de suas palavras tão cativantes,
Sinto com a pele, com meu toque gelado, o calor gerado,
Por nada mais que um afago zelado, e acabado,
Sinto no silêncio o que os olhos e os corpos inquietos gritam,
Difícil é sentir no coração,
Mas acabo por aceitar minha involuntária recusa,
Mesmo sabendo da vontade de te ter mais perto.
E sentir por completo.