Acontece, porém, que existe sempre uma sede insaciável por afeto,
Por um desejo que leva a fazer coisas demasiadamente apetitosas,
Uma procura inútil por anseios, que de tanto, quase me sufoca;
Acredito ainda, que falta o sentir,
E o pouco que sinto não me basta,
Absolutamente não é tolerável,
Mas é o que mais me consome,
E o que leva a própria contrariedade.
Sinto com os olhos, que podem ler todo o seu corpo, e pelos seus,
Ver verdades, que desmentem sutilmente seu orgulho e teimosia,
Sinto com os ouvidos, que podem traduzir em estrofes uma mulher,
E a sinceridade de suas palavras tão cativantes,
Sinto com a pele, com meu toque gelado, o calor gerado,
Por nada mais que um afago zelado, e acabado,
Sinto no silêncio o que os olhos e os corpos inquietos gritam,
Difícil é sentir no coração,
Mas acabo por aceitar minha involuntária recusa,
Mesmo sabendo da vontade de te ter mais perto.
E sentir por completo.