segunda-feira, 30 de agosto de 2010

APELO

Um desenho
Uma imagem
Um retrato
Um sorriso
Um quadro
Uma aquarela
Qualquer coisa
Tudo enfim

Uma flor
Um beija-flor
Um sabor
Um odor
Um olhar
Um sorriso
Qualquer coisa
Tudo enfim

Uma carta
Um bilhete
Um rascunho
Um rabisco
Um traço
Um risco
Qualquer coisa
Tudo enfim

Tudo enfim
Qualquer coisa
Pense em mim
Um tiquinho
Assim!

domingo, 29 de agosto de 2010

Contemplação estéril e longínqua.

Todas as noites, como de costume, colocava um blues, sentava na mesma velha poltrona da sala e acendia seu ultimo cigarro do dia. O sono batia, ela cochilava, e pela madrugada acordava, virava o lado do disco, caminhava até o quarto e ficava esperando cair novamente no sono. Tão abstrata parecia sua idéia de ser obstinada a algo. Como não encontrar nem mesmo contentamento, outros teriam até gozo, e quem sabe, amor. Mas, em uma noite qualquer, parecia estar incomodada, algo lhe perturbava os pensamentos, foi para o quarto e não conseguiu mais dormir. O que lhe doía naquele momento era confundir lembrança com saudade, ora relembrava momentos vividos, e isso não significava que sentia falta deles, ora lembrava com tanto carinho, apego e até um afeto, que lhe tocava forte, ai talvez fosse saudade, e não gostou, pois lhe formava um vazio tão fundo e tão frio, que preferia esquecer e ser mesmo sozinha. Pedia ao coração que sossegasse, não desesperasse pela confusão, acendeu outro cigarro e pensava que mesmo sem final, aquilo tinha, sim, um fim. Só não sabia qual era o sentimento, e isso a afligia. Pouco a pouco, da angústia de se própria, foi deixando de pensar. Era quase manhã quando adormeceu, e chegou até a sonhar. No sonho, contava um segredo, que não lembrava o que era, mas alguma coisa mudara, estava obstinada a fazer alguma coisa.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida.