terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sessão das 21:00

Noite de segunda feira,
Eu, um cinema vazio e o silêncio,
Em minha companhia,
Só as poltronas que brigavam a ausência.
Diante dos seus olhos, cenas de um filme a passar. Baseado em história real, queria ela que fosse surreal. Um menino, sua história, e uma perturbadora consciência que insistia em achar reflexo do que se passara na tela, sobre ela que o via. A criança, a pobreza, a tristeza. Tudo em um aberto e desfocado segundo plano, pois tudo isso, apenas compunha o fundo da cena que ela agora fazia. Em seu fechado primeiro plano: Uma mulher, um coração apertado, uma lágrima a cair, que assim, sem cuidado deixava vulnerável o seu intimo. Apenas perifericamente espionava o segundo plano, ele se tornava o único a observá-la, sendo cúmplice ou testemunha de seus pensamentos que vagavam soltos pela solitária sala, e pelo seu solitário eu interior. Como o sopro que apaga uma chama, uma atrevida frase do segundo plano ousou desfazer toda a atenção que ela dava pra aquele seu nada. A tela, então, se fez maior e mais viva, agora a envolvia colocando tudo em um único plano. Aquele jeito de falar, aquele olhar, aquele tom de pele... A face empalideceu, a boca secou, a mão esfriou, o coração disparou. A infeliz consciência fez pairar na memória de algo que a tela a fazia recordar. Finalmente, as luzes se acendem e ali deixava apenas um olhar, num silêncio tão grande, que os ouvidos chegavam incomodar.

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