Todas as noites, como de costume, colocava um blues, sentava na mesma velha poltrona da sala e acendia seu ultimo cigarro do dia. O sono batia, ela cochilava, e pela madrugada acordava, virava o lado do disco, caminhava até o quarto e ficava esperando cair novamente no sono. Tão abstrata parecia sua idéia de ser obstinada a algo. Como não encontrar nem mesmo contentamento, outros teriam até gozo, e quem sabe, amor. Mas, em uma noite qualquer, parecia estar incomodada, algo lhe perturbava os pensamentos, foi para o quarto e não conseguiu mais dormir. O que lhe doía naquele momento era confundir lembrança com saudade, ora relembrava momentos vividos, e isso não significava que sentia falta deles, ora lembrava com tanto carinho, apego e até um afeto, que lhe tocava forte, ai talvez fosse saudade, e não gostou, pois lhe formava um vazio tão fundo e tão frio, que preferia esquecer e ser mesmo sozinha. Pedia ao coração que sossegasse, não desesperasse pela confusão, acendeu outro cigarro e pensava que mesmo sem final, aquilo tinha, sim, um fim. Só não sabia qual era o sentimento, e isso a afligia. Pouco a pouco, da angústia de se própria, foi deixando de pensar. Era quase manhã quando adormeceu, e chegou até a sonhar. No sonho, contava um segredo, que não lembrava o que era, mas alguma coisa mudara, estava obstinada a fazer alguma coisa.
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